Há 2 dias que já não escrevia no blog. A verdade é que tenho tido bastante trabalho, tenho saído bastante tarde do emprego e chego bastante cansado a casa. Hoje aconteceu o mesmo mas lá arranjei forças para vos deixar aqui uma mensagem!
A vida cá na Arábia continua sem grandes novidades. À medida que nos vamos inserindo no dia-a-dia desta cidade, começamos a ter uma percepção diferente das coisas, principalmente daquelas menos positivas. Aquilo que ao principio representa uma novidade e mesmo algo que pode ser observado com muita curiosidade do ponto de vista cultural e social, passa a ser algo com que temos que viver e aceitar todos os dias.
Tal como já disse, este é um país de contrastes. O que ao principio observamos com alguma passividade, com o passar do tempo torna-se revoltante. Refiro-me a toda a opressão que existe neste país e que se sente a cada esquina de Riyadh.
Hoje fui jantar ao centro comercial que habitualmente costumo ir. Entrei e reparei que havia muitas mulheres (pensei... olha que sorte!). Afinal, hoje era um dia dedicado à familia, como tal, apenas familias eram permitidas, salvas raras excepções (como eu, que entrei por uma porta sem nenhum segurança). Tal como já vos tinha dito, não é muito comum ver a face de uma mulher por estes sitios, mas hoje cerca de metade das mulheres estava com a face à mostra (com os cabelos cobertos) e a restante metade usava o tradicional véu que apenas deixa os olhos à mostra. Vi mulheres bastante bonitas (eram mesmo bonitas, não sou eu que estou desespero :)), mas muitas delas ao passar por um homem, puxavam logo o véu para a frente e cobriam a face (tudo bem que sou feio, mas há maneiras mais delicadas de não olhar!!! :)).
Este género de atitude priva-me de liberdade... não a liberdade de olhar para uma mulher, não é isso que está em causa, mas sim a liberdade de estar num espaço onde as pessoas são coagidas a agir de uma certa e dada maneira. Até acredito que muitas das mulheres até concordem com estes principios, mas pelos sinais que vejo existem muitas que desejam mais liberdade. Mais uma vez vi mulheres e homens agarrados ao telemovel (rever crónica sobre o bluetooth), mulheres à espera do motorista ou marido porque não podem conduzir (além disso têm que andar no banco de trás e a maioria dos carros tem os vidros fumados nesses lugares para que as mulheres não sejam visiveis do exterior)... mulheres a terem que andar cobertas quando está um calor insuportável... mulheres a não entrarem num elevador porque já está um homem lá dentro... enfim...
A proposito desta última frase, já me aconteceu uma cena "curiosa". Como sinal de respeito e também de algum cavalheirismo, é comum um homem deixar passar uma mulher à frente... Foi isso que me aconteceu quando me dirigia para uma escada rolante... eu reparei que a mulher também ia para a escada e então abrandei para lhe dar espaço para subir primeiro. A verdade foi que ela não avançou, ficamos ali parados uma fracção de segundos e depois ela deu meia volta para trás. Quando já estava a meio das escadas, reparei que ela tinha voltado para trás para subir nas escadas... Este género de atitude representa tudo o que disse até agora...
A verdade é que esta é a realidade deste país... É assim que vivem estas pessoas, 24 horas/dia, 365 dias/ano... Não era capaz de viver num país assim. Dizendo isto, não estou a dizer que me estou a dar mal, antes pelo contrário, tenho-me adaptado bastante bem e seria bastante natural para mim ficar mais 2 ou 3 meses. Só que para um ocidental, há muita coisa que aqui "dói". Temos que nos tornar insensiveis a estas questões (sim, digo insensiveis porque penso ser impossivel tolerar ou aceitar este género de comportamentos) ou então é muito complicado viver neste país...
Provavelmente este não é o melhor post para começarem a vossa semana, mas outros posts virão!
Boa semana!